Tesouro dos EUA deve manter vendas de notas e títulos estáveis até 2027
Comitê recomenda manutenção dos volumes atuais, mas não descarta ajustes em 2027 diante de projeções fiscais
O Comitê Consultivo para Empréstimos do Tesouro dos Estados Unidos recomendou, em carta enviada nesta quarta-feira (5) ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, a manutenção dos volumes de emissão de cupons nominais e títulos atrelados à inflação (TIPS) inalterados até o ano fiscal de 2027. O documento, porém, ressalta que as projeções atuais podem justificar aumentos na emissão de cupons a partir desse período.
Em sua declaração trimestral de refinanciamento, também divulgada nesta quarta-feira, o Departamento do Tesouro afirmou que pretende manter os tamanhos dos leilões de notas e títulos nominais "pelo menos nos próximos vários trimestres".
O Comitê destacou ainda a atenção do setor financeiro para possíveis impactos no mercado de swaps de inflação caso múltiplas divulgações do índice de preços ao consumidor (CPI) sejam adiadas devido a uma eventual paralisação federal nos EUA. Segundo o grupo, tal cenário pode afetar tanto a demanda quanto a liquidez do mercado secundário de TIPS.
"Uma vez que o governo reabra e os dados atrasados sejam divulgados, podemos ver investidores e formuladores de políticas atualizando rapidamente suas perspectivas para a economia dos EUA", acrescentou o documento.
As projeções mais recentes apontam para déficits de US$ 1,940 trilhão no ano fiscal de 2026 e de US$ 2,052 trilhões em 2027, segundo pesquisa com dealers — valores US$ 106 bilhões inferiores à estimativa do trimestre anterior. Na segunda-feira, o Tesouro reduziu em US$ 21 bilhões sua previsão de captação trimestral, totalizando US$ 569 bilhões.