DIREITOS HUMANOS

Ataques dos EUA no Caribe podem ser considerados crimes internacionais, alertam especialistas da ONU

Especialistas do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos apontam violações graves e alertam para massacres ilegais cometidos por militares norte-americanos em operações no Caribe e no Pacífico Oriental.

Por Sputnik Brasil Publicado em 05/11/2025 às 12:18
© AP Photo / Kamran Jebreili

Os ataques repetidos e sistemáticos realizados por militares dos Estados Unidos contra navios no Caribe e no Pacífico Oriental levantam sérias preocupações quanto à possível prática de crimes internacionais. A avaliação foi feita por especialistas da ONU em comunicado divulgado pelo escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Segundo o documento, os ataques dos EUA representam massacres ilegais cometidos sob ordens governamentais, sem qualquer investigação judicial ou legal que assegure o devido processo.

"A natureza repetida e sistemática desses ataques levanta sérias preocupações sobre possíveis crimes internacionais", afirmaram os especialistas.

Os especialistas destacam que as ações têm como alvo pequenas embarcações, sem que haja tentativas evidentes de prender os indivíduos ou apresentar provas concretas que justifiquem a escolha dos alvos.

De acordo com informações do The Washington Post, os Estados Unidos estariam mobilizando um contingente de cerca de 16 mil militares na região do Caribe.

Juristas ouvidos ressaltam que tais ataques não ocorreram "no contexto de autodefesa nacional, conflito armado internacional ou não internacional", nem foram dirigidos a pessoas que representassem ameaça imediata à vida.

Para os especialistas da ONU, trata-se, portanto, de uma violação das normas internacionais fundamentais de direitos humanos, que proíbem a privação arbitrária da vida.

Em 31 de outubro, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou que os ataques dos EUA a embarcações no Caribe violam o direito internacional humanitário. Turk destacou que os Estados Unidos "devem tomar todas as medidas para evitar essas punições extrajudiciais" e reforçou que tais ações são inaceitáveis, já que o combate ao tráfico de drogas deve ser conduzido por agentes da lei.

Nos meses de setembro e outubro, os Estados Unidos utilizaram repetidamente suas Forças Armadas para destruir barcos que supostamente transportavam drogas na costa da Venezuela. Segundo a emissora norte-americana NBC, ao final de setembro, as Forças Armadas dos EUA analisavam opções para atacar traficantes de drogas dentro do território venezuelano.

Na semana passada, o então presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que os dias de Nicolás Maduro como líder da Venezuela estavam contados, mas garantiu que Washington não tinha intenção de entrar em guerra com Caracas.