Copom reduz projeção de inflação em 12 meses para o 2º trimestre de 2027
Nova estimativa do Banco Central indica IPCA de 3,3%, ainda acima da meta de 3%, e reforça manutenção da Selic em 15%
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central revisou para baixo sua projeção para a inflação acumulada em 12 meses até o final do segundo trimestre de 2027, passando de 3,4% para 3,3%. Na reunião desta quarta-feira (5), esse horizonte foi considerado o mais relevante para a política monetária.
A nova projeção permanece acima do centro da meta, de 3%. Isso sinaliza que a trajetória de juros prevista no relatório Focus não é suficiente para fazer a inflação convergir ao alvo dentro do período de seis trimestres analisado pelo BC. As medianas indicam que a Selic deve encerrar 2024 em 15,0% e recuar para 12,25% até o fim de 2026.
Nesta quarta-feira, o Copom decidiu manter a Selic em 15,0% ao ano, em decisão unânime – resultado já esperado pelas 65 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Ao justificar a decisão, o colegiado destacou que o cenário permanece incerto, marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência da atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. “Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, afirma o comunicado.
A cotação do dólar utilizada nas projeções do comitê foi mantida em R$ 5,40. A mediana do Focus para o IPCA de 2025 recuou de 4,83% para 4,55%. Para 2026, caiu de 4,30% para 4,20%. Para 2027, a estimativa foi de 3,90% para 3,80%.
A projeção do Copom para o IPCA acumulado em 2025 passou de 4,8% para 4,6%, ainda acima do teto da meta, de 4,50%. A estimativa para 2026 foi mantida em 3,6%.
Todas as estimativas consideram a evolução da taxa de câmbio conforme a paridade do poder de compra (PPC), a trajetória da Selic embutida no relatório Focus e o preço do petróleo seguindo a curva futura por cerca de seis meses, passando a aumentar 2% ao ano posteriormente.
No cenário de referência, o Copom também ajustou suas projeções para a inflação de preços livres em 2025 (de 5,0% para 4,5%), em 2026 (de 3,5% para 3,6%) e manteve a projeção para o segundo trimestre de 2027 em 3,2%. Para os preços administrados, a estimativa passou de 4,3% para 5,0% este ano, de 3,8% para 3,4% em 2025 e de 3,7% para 3,5% no horizonte relevante.
Juros reais
Com a Selic mantida em 15%, o Brasil segue com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, de 9,74%, segundo ranking do site MoneYou. O país fica atrás apenas da Turquia, com 17,80%. A Rússia aparece em terceiro lugar, com 9,10%, seguida por Argentina (5,16%) e Índia (4,21%).
O Banco Central calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil – aquela que não estimula nem deprime a economia – é de 5,0%.