PF aponta que advogados repassaram recado de trégua entre Comando Vermelho e PCC a presos
Quatro advogados foram presos em Manaus sob suspeita de atuar como mensageiros da facção Comando Vermelho, levando comunicados e informações para dentro dos presídios e intermediando ordens de líderes do crime organizado.
A investigação que resultou na prisão de quatro advogados em Manaus, nesta quinta-feira (6), por suspeita de ligação com o Comando Vermelho (CV), teve início a partir da análise de conversas no WhatsApp.
Alan Sérgio Martins Batista, conhecido como "Índio" e "Sangue Azul", apontado como um dos líderes do CV, teve o sigilo de mensagens quebrado em outra apuração. Ao examinar os diálogos, a Polícia Federal encontrou mensagens entre o chefe da facção e os advogados Gerdeson Zuriel de Oliveira Menezes, Alisom Joffer Tavares Canto de Amorim, Janai de Souza Almeida e Ramyde Washington Abel Caldeira Doce Cardozo.
Segundo a Polícia Federal, os advogados recebiam ordens de "Sangue Azul" e atuavam como intermediários entre a liderança do CV e detentos, transmitindo recados e recolhendo informações para manter a cúpula da facção informada sobre a rotina nas cadeias.
Em fevereiro, "Sangue Azul" enviou aos advogados um comunicado sobre uma trégua entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Alisom Joffer e Janai de Souza responderam que repassariam a informação aos presos ainda no mesmo dia.
Em outra conversa, Janai compartilhou no grupo um relatório atribuído ao conselho do CV no pavilhão 6 do Centro de Detenção Provisória de Manaus I, detalhando a decisão de punir um detento conhecido como "Coelho" por supostas agressões verbais e físicas contra outros presos.
Ramyde Cardozo também aparece nos diálogos com "Sangue Azul". Segundo a PF, o advogado teria se comprometido a entrar com maconha em um presídio e, em uma mensagem, afirmou ter recorrido a "pessoas de confiança" para entregar a droga, mas relatou que houve troca de plantão. A Polícia Federal suspeita que funcionários da penitenciária tenham sido cooptados para facilitar a entrada de entorpecentes.
Gerdeson Zuriel também teria transmitido "relatórios" dos presos aos líderes do CV e é suspeito de ceder suas contas bancárias para movimentação de recursos do traficante sem levantar suspeitas.
Ao decretar a prisão dos advogados, a juíza Ana Paula Podedworny, da 4.ª Vara Federal Criminal do Amazonas, destacou que eles prestaram "fundamental auxílio" ao CV e exerceram "função de grande importância para o funcionamento da facção".
"Assim agindo, possibilitam a manutenção do elo e da comunicação entre os membros e permitem a coesão e o pleno funcionamento do Comando Vermelho no Estado do Amazonas", afirmou a magistrada em sua decisão.
COM A PALAVRA, A OAB DO AMAZONAS
A Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Amazonas informou que membros da Comissão de Defesa das Prerrogativas Profissionais acompanham o cumprimento de mandados de busca, apreensão e prisão contra advogados.
Segundo a OAB-AM, eventuais violações de prerrogativas durante a operação estão sendo apuradas e as providências cabíveis serão adotadas, inclusive com comunicação à autoridade judicial responsável pelos mandados. A entidade reforçou que permanece vigilante e oferece assistência aos advogados, reafirmando o compromisso com a defesa da legalidade, das prerrogativas da advocacia e do Estado Democrático de Direito.
COM A PALAVRA, AS DEFESAS
O espaço segue aberto para manifestação das defesas dos advogados citados.