SAÚDE PÚBLICA

Vacina contra a dengue mantém proteção por sete anos, revela estudo internacional

Imunizante Qdenga segue eficaz e seguro a longo prazo, sem necessidade de reforço, segundo pesquisa apresentada na Tailândia

Publicado em 07/11/2025 às 10:22
Vacina contra a dengue mantém proteção por sete anos, revela estudo internacional Alisson Frazão/Secom Maceió

A vacina contra a dengue Qdenga, desenvolvida pela farmacêutica Takeda, comprovou proteção duradoura contra infecções e hospitalizações causadas pela doença, mesmo sete anos após a aplicação das doses. A constatação é resultado de uma nova análise de estudo clínico de longo prazo, apresentada em congresso internacional realizado na Tailândia. Os dados reforçam a proteção sustentada e a manutenção do perfil de segurança do imunizante.

Segundo Vivian Lee, diretora médica da Takeda, o objetivo da avaliação era verificar a necessidade de uma dose de reforço após o esquema vacinal padrão. “Realizamos o estudo justamente para entender se era necessária (a dose de reforço), a princípio após 4,5 anos e agora após sete anos, e concluímos que não há necessidade”, afirma.

O levantamento aponta que a eficácia da vacina na prevenção de hospitalizações foi de 84,1% após 4,5 anos, chegando a 90,6% com uma dose adicional no mesmo período. Já na prevenção de casos confirmados em laboratório, o esquema atual de duas doses apresentou eficácia de 61,2% após 4,5 anos, aumentando para 74,3% dois anos e meio após a dose extra.

Para Melissa Palmieri, vice-presidente da regional paulista da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm-SP), os resultados estão alinhados à tecnologia da vacina, baseada em vírus atenuado. “Quando desenham um estudo como esse, vemos que a resposta celular está organizada. Se a pessoa se expuser ao vírus, ela terá capacidade de resposta celular e de anticorpos, evidenciando que não há necessidade de reforço neste momento”, explica.

A Takeda informa que não foram identificados novos sinais de segurança após a dose adicional e que os resultados reforçam o perfil de benefício-risco da vacina. O estudo acompanhou mais de 20 mil crianças e adolescentes saudáveis, de 4 a 16 anos, e comprovou eficácia contra os quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) ao longo dos sete anos. A faixa etária foi escolhida por concentrar alta incidência de casos e hospitalizações. “Se a vacina demonstra eficácia nesses casos, temos a chamada ponte imunológica. Assim, podemos inferir esses resultados para outras faixas etárias sem novos levantamentos, apenas com estudos de imunogenicidade e segurança”, ressalta Vivian.

Atualmente, a Qdenga é a única vacina contra a dengue disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Até o fim de 2025, a Takeda prevê entregar 15 milhões de doses ao sistema público. O imunizante também pode ser encontrado em clínicas privadas no Brasil.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda a imunização para pessoas de 4 a 60 anos. No SUS, a vacina está disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. O esquema vacinal recomendado é de duas doses, com intervalo de três meses. O imunizante é contraindicado para imunossuprimidos, gestantes, lactantes ou pessoas com alergia a seus componentes.

De acordo com o Painel de Arboviroses do Ministério da Saúde, desde janeiro deste ano foram registrados 1.623.310 casos prováveis de dengue e 1.711 mortes pela doença no país.