RELATÓRIO DE RISCOS FISCAIS

92,7% da receita primária está sujeita à volatilidade de PIB, inflação e juros, aponta Tesouro

Relatório do Tesouro Nacional revela alta sensibilidade das receitas federais a oscilações econômicas e detalha impactos de variações em indicadores como PIB, inflação e câmbio.

Publicado em 07/11/2025 às 12:50
Reprodução / Agência Brasil

O Tesouro Nacional informou que cerca de 92,7% da receita primária da União está sujeita à volatilidade de indicadores como Produto Interno Bruto (PIB), inflação, massa salarial, câmbio, juros e preços do petróleo. Os dados estão no Relatório de Riscos Fiscais da União (RRFU), divulgado nesta sexta-feira, 7.

Considerando as receitas administradas pela Receita Federal e as previdenciárias — que, juntas, responderam por 87% do total em 2024 —, o Tesouro calcula que cada variação de 1 ponto percentual no PIB adiciona ou retira R$ 14,930 bilhões, no mesmo sentido, sendo este o maior impacto entre as variáveis macroeconômicas analisadas.

Já uma variação de 1 ponto percentual na inflação (IPCA e IGP-DI) tem impacto de R$ 13,799 bilhões, também no mesmo sentido.

Oscilações de 1 ponto na taxa de câmbio adicionam ou retiram R$ 2,529 bilhões desses grupos de receitas. A variação da massa salarial impacta em R$ 7,546 bilhões, enquanto a taxa de juros over tem efeito de R$ 211 milhões.

Despesa

No âmbito das despesas primárias, uma variação de 1 ponto percentual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) gera impacto de 1% em grupos como benefícios previdenciários, benefícios assistenciais (como o BPC) e abono salarial. No caso do seguro-desemprego, o impacto foi ainda maior em 2024, com alta de 1,06%.

No limite de despesas do arcabouço fiscal, o Tesouro estima que um desvio de 0,1 ponto percentual no IPCA teria impacto de R$ 2,2 bilhões. Já uma variação de 0,1 ponto na Receita Líquida Ajustada (RLA), usada para corrigir esse limite, implicaria uma mudança de R$ 1,7 bilhão.