SEGURANÇA BANCÁRIA

BC reforça medidas para preservar reputação e segurança do Pix

Diretor do Banco Central destaca esforços contínuos para garantir confiabilidade do sistema de pagamentos e anuncia novas funcionalidades e normas em desenvolvimento.

Publicado em 11/11/2025 às 18:12
Reprodução

O diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Renato Gomes, afirmou nesta terça-feira (11) que a autarquia tem tomado diversas iniciativas para reforçar a segurança do Pix e preservar a reputação do sistema.

“O bem mais valioso de um arranjo de pagamentos é a sua reputação, a percepção de que ele é confiável, de que as pessoas podem usar com tranquilidade. Então, isso é muito caro para o Banco Central. O BC tem realmente devotado muita energia para preservar esse importante ativo do arranjo”, destacou Gomes, durante live promovida pelo BC em comemoração aos cinco anos do Pix.

Entre as medidas recentes citadas pelo diretor, estão a exigência de que as informações do titular associado a uma chave Pix coincidam com o cadastro na Receita Federal e o limite de R$ 15 mil para transações via Pix em instituições financeiras não autorizadas.

Segurança

Renato Gomes adiantou que o Banco Central trabalha em novas ações para aumentar a segurança do sistema. Entre elas, está a definição objetiva do que configura uma “fundada suspeita de fraude”. Atualmente, a decisão sobre o bloqueio de uma transação por suspeita de fraude é interpretativa e cabe a cada instituição. A proposta é estabelecer critérios claros para evitar insegurança jurídica, em parceria com o mercado, por meio do grupo de segurança do Pix.

O diretor também informou que a autarquia discute com o mercado a padronização dos alertas de golpe no sistema. Outra novidade em desenvolvimento é uma funcionalidade que permitirá aos usuários bloquearem a criação de novas chaves Pix vinculadas ao próprio CPF. Segundo ele, essa ferramenta é prioridade na agenda do BC, mas ainda não tem data para lançamento.

Robustez

Gomes enfatizou que o Pix sempre foi um sistema seguro e, comparado a outros arranjos de pagamento, apresenta volume menor de fraudes. Ele explicou que a percepção de insegurança decorre da migração das fraudes do ambiente físico para o digital, tornando-as mais visíveis para a população. “O Pix é um meio de pagamentos particularmente robusto e a segurança do sistema é uma preocupação constante do BC, que atua de forma proativa”, afirmou.

Segundo o diretor, “existe sempre uma corrida entre o mocinho e o bandido. Os fraudadores são, lamentavelmente, muito empreendedores, então o Banco Central precisa estudar o mercado, identificar os elos mais vulneráveis e intensificar a supervisão, revisando normas e promovendo aperfeiçoamentos contínuos.”

Internacionalização

Renato Gomes também destacou o apoio do Banco Central às soluções de internacionalização do Pix desenvolvidas pelo mercado. “Apoiamos essas soluções, desde que respeitem as exigências de prevenção à lavagem de dinheiro, compliance e conheça seu cliente. Isso é fundamental”, ressaltou.

O diretor comentou que a autarquia acompanha com atenção o desenvolvimento dessas soluções e espera que novas integrações com outros sistemas de pagamento surjam nos próximos anos. Gomes ainda mencionou funcionalidades futuras, como o Pix em garantia e em duplicata.

“O futuro do Pix será marcado por uma série de produtos que talvez não sejam tão visíveis quanto a concepção original, mas que vão promover uma revolução silenciosa no mercado de crédito e pagamentos do Brasil”, concluiu.