MERCADO FINANCEIRO

Taxas de juros futuras atingem menor nível em um ano após ata do Copom e IPCA

Sinalização mais branda do Banco Central e inflação abaixo do esperado reforçam expectativa de corte da Selic já no início de 2025

Publicado em 11/11/2025 às 18:47
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As taxas dos juros futuros de vencimentos curtos e intermediários recuaram de forma significativa nesta terça-feira, 11, fechando nos menores patamares em cerca de um ano. O movimento foi impulsionado pela ata do Comitê de Política Monetária (Copom), considerada menos conservadora, e pela surpresa positiva no IPCA de outubro, que veio abaixo das expectativas do mercado.

Esses fatores fortaleceram as apostas de que o Banco Central pode iniciar a redução da Selic já em janeiro, além de sugerir maior espaço para flexibilização da política monetária.

Ao final do pregão, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 13,835% para 13,68%. O DI para janeiro de 2028 recuou de 13,057% para 12,915%, enquanto o DI para janeiro de 2029 passou de 12,983% para 12,86%. Todas essas taxas atingiram o menor nível de fechamento desde novembro de 2024. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2031 marcou 13,175%, ante 13,282% no ajuste anterior.

Com o mercado de Treasuries fechado devido ao feriado do Dia do Veterano nos Estados Unidos, os principais fatores para o fechamento da curva local foram domésticos. O enfraquecimento do dólar e o ambiente externo mais favorável ao risco, com avanços para evitar o shutdown nos EUA, também colaboraram para o bom desempenho dos DIs.

Para Gustavo Okuyama, gestor de renda fixa da Porto Asset, a ata do Copom foi "a estrela do dia". Segundo ele, o documento dissipou dúvidas relevantes do mercado, como o impacto da isenção do Imposto de Renda para salários até R$ 5 mil e o real significado do termo "bastante prolongado" ao se referir à manutenção da Selic.

No texto, o Copom esclareceu que já incorporou uma estimativa preliminar do efeito da ampliação da isenção do IR. Mesmo assim, a projeção para a alta do IPCA no segundo trimestre de 2027 caiu de 3,4% para 3,3% – uma sinalização considerada dovish (mais inclinada a cortes) pelo mercado.

Sobre o termo "bastante", Okuyama destaca que o comitê reforçou a convicção de que manter a Selic no nível atual por um período prolongado é suficiente para garantir a convergência da inflação à meta de 3%. "Esse trecho esclarece que o 'bastante' não se refere a uma reunião, mas ao ciclo como um todo", afirma. Apesar disso, a Porto Asset mantém a projeção de um primeiro corte apenas em março, de 0,5 ponto percentual, embora o mercado veja chances crescentes de antecipação para janeiro.

O IPCA de outubro, divulgado nesta terça pelo IBGE, desacelerou de 0,48% em setembro para 0,09%, abaixo da mediana das projeções (0,14%) e próximo do piso das estimativas (0,08%). Economistas destacaram a composição benigna do índice, com núcleos de inflação comportados, ainda que em leve aceleração mensal, variando de 0,19% a 0,26%. Para Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do banco Pine, o ritmo atual está compatível com a meta de inflação de longo prazo.

Segundo o Bradesco, na métrica anualizada de três meses, a média dos núcleos de inflação está em 3,9%, refletindo menor pressão de bens industriais e serviços contidos. O resultado levou a revisões para baixo nas projeções de inflação para 2025, como a do UBS BB, que reduziu a estimativa de 4,6% para 4,5%, agora dentro do limite da meta oficial.