Mercadante defende métrica brasileira com reconhecimento internacional para créditos de carbono
Presidente do BNDES destaca necessidade de estratégia própria e liderança global do Brasil no setor durante lançamento da certificadora Ecora, em Belém
O presidente do BNDES, Aloisio Mercadante, afirmou que o Brasil dispõe de instrumentos para avaliar sua biodiversidade e ressaltou a importância de desenvolver uma métrica nacional, reconhecida internacionalmente, para o mercado de carbono. “É importante termos uma métrica e estratégia próprias para medição de carbono, que sejam complementares às que já existem”, destacou Mercadante.
Segundo ele, o interesse dos investidores estrangeiros no Brasil tem crescido e o país vem conquistando credibilidade no cenário global. “Precisamos perder o complexo de vira-lata e liderar o movimento globalmente”, afirmou, reforçando a necessidade de mecanismos para impulsionar o mercado de carbono brasileiro.
As declarações foram feitas durante o lançamento da certificadora de carbono Ecora, realizado na noite desta terça-feira (11), em Belém do Pará, às margens da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). A Ecora é fruto de uma parceria entre BNDES, Bradesco e Fundo Ecogreen, com o banco público atuando como sócio minoritário.
O CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, também presente ao evento, enfatizou a relevância de certificações robustas adaptadas à realidade brasileira. “Outras certificadoras conhecem melhor outras realidades e nós respeitamos isso. Vamos manter credibilidade internacional e perseguir esse objetivo”, disse. “A Ecora é uma certificadora de carbono com conhecimento profundo do Brasil”, acrescentou.
Noronha avaliou que o Brasil pode se tornar o principal hub de créditos de carbono do mundo. “O Brasil é um exportador natural de crédito de carbono”, afirmou, ressaltando que o lançamento da Ecora representa um compromisso com a ciência e o desenvolvimento sustentável.
O executivo revelou que o projeto está em discussão há mais de um ano, mas não divulgou os valores investidos na certificadora. Noronha indicou ainda que a Ecora poderá receber mais um ou dois parceiros em breve. “Estamos discutindo com mais um ou potenciais parceiros”, pontuou.
O diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, também participou do evento e destacou o interesse do Brasil em fomentar o mercado de carbono a partir das florestas tropicais. “Isso se encaixa na diretriz do governo brasileiro”, afirmou.
Barbosa informou que o BNDES está preparando novos projetos de concessão de áreas florestais e, segundo ele, “somente a última concessão efetivada elevou em 35% a área total concedida”. “Tudo isso gera emprego e tecnologia no Brasil e permite enfrentar o próximo desafio, que é a biodiversidade”, concluiu.