RECEITA FEDERAL

Arrecadação federal atinge R$ 261,9 bilhões em outubro, maior valor para o mês desde 1995

Resultado ficou levemente abaixo das projeções do mercado, mas marca novo recorde histórico para outubro; IOF e IRRF-Capital impulsionaram o desempenho

Publicado em 24/11/2025 às 10:41

A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 261,908 bilhões em outubro, segundo dados divulgados pela Receita Federal. Trata-se do maior valor já registrado para o mês de outubro desde o início da série histórica, em 1995.

O montante ficou pouco abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de R$ 264,5 bilhões, conforme pesquisa Projeções Broadcast. As estimativas variavam de R$ 216,5 bilhões a R$ 275,4 bilhões.

Em relação a outubro de 2024, houve uma alta real de 0,92%, já descontada a inflação. Na comparação com setembro deste ano, a arrecadação subiu 20,74% em termos reais. No entanto, a Receita ressalta que comparações entre meses distintos são frequentemente afetadas por fatores sazonais.

Detalhamento

No relatório, a Receita Federal destaca o aumento real de 38,80% na arrecadação do IOF em relação a outubro de 2024, totalizando R$ 8,138 bilhões. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo reajuste das alíquotas do imposto, determinado pelo governo em meados do ano.

"Esse desempenho pode ser justificado pelas operações relativas à saída de moeda estrangeira e pelas operações de crédito destinadas a pessoas jurídicas, ambas decorrentes de recentes alterações na legislação", explicou o órgão.

A arrecadação do IRRF-Capital atingiu R$ 11,574 bilhões, um crescimento real de 28,01%. O resultado foi puxado pelas aplicações de renda fixa (PF e PJ), que registraram alta de 42,10%; pelos fundos de renda fixa, com aumento de 41,36%; e pelos Juros sobre Capital Próprio (JCP), com elevação de 32,93%.

A Medida Provisória 1.303, que sugeria alternativas para parte do aumento nas alíquotas do IOF, previa elevação da alíquota do Imposto de Renda sobre JCP de 15% para 20%, além da unificação da alíquota das aplicações financeiras em 17,5%, substituindo o modelo progressivo (de 15% a 22,5%). Apesar de ter sido derrubada pelo Congresso no início de outubro, a MP ficou vigente por mais de três meses, desde sua apresentação em junho.

Somados, IRPF e CSLL arrecadaram R$ 63,360 bilhões no período, alta real de 5,54% ante outubro de 2024. "Esse resultado pode ser explicado pelo crescimento real de 9,62% na arrecadação do lucro presumido e de 20,60% em outras modalidades", informou a Receita.

Acumulado do ano

Entre janeiro e outubro de 2025, a arrecadação federal totalizou R$ 2,367 trilhões, um avanço real de 3,20% em relação ao mesmo período de 2024. É o maior valor já registrado para o período na série histórica.

No acumulado do ano, destaca-se o crescimento real de 3,13% na receita previdenciária, que chegou a R$ 582,546 bilhões, impulsionado pela expansão da massa salarial (5,74%) e pelo aumento das compensações tributárias com débitos de receita previdenciária (13,98%).

O relatório também aponta expansão real de 2,75% na arrecadação de PIS/Pasep e Cofins, que somou R$ 478,325 bilhões de janeiro a outubro, reflexo do crescimento da atividade de serviços. Houve desempenho positivo das entidades financeiras e da exploração de jogos de azar e apostas, devido a alterações na legislação, e desempenho negativo nos setores de combustíveis e telecomunicações.