RESPONSABILIDADE FISCAL

Tebet pede apoio do mercado financeiro para convencer Congresso a reduzir gastos

Ministra do Planejamento reforça compromisso com equilíbrio fiscal e defende participação do setor financeiro na articulação por cortes de despesas e revisão de benefícios tributários

Publicado em 24/11/2025 às 13:35

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, reiterou nesta segunda-feira (24) o compromisso do governo federal com a responsabilidade fiscal e o equilíbrio entre crescimento econômico e controle da inflação. Segundo Tebet, ao longo dos três anos de gestão, o Poder Executivo buscou avançar em medidas de controle de gastos, mas enfrentou dificuldades para concluir reformas em razão da atuação de lobbies.

"No quesito das reformas fiscais, nós andamos muito mais lentamente do que precisávamos. Mas, nesse quesito, é importante compartilhar as responsabilidades. O Poder Executivo tentou. Muitas vezes tivemos lobbies que impediram o Executivo e outros poderes de que pudéssemos avançar mais", afirmou a ministra durante o almoço anual da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Tebet destacou que o próprio setor financeiro e os bancos podem colaborar no convencimento do Congresso Nacional para a redução de determinados gastos. Ela ressaltou, especialmente, os elevados gastos tributários e isenções fiscais. "E aqui entram vocês, agentes do mercado, que possam ser parceiros do Brasil, como muitos já são, levando a palavra não só para dentro do Poder Executivo, mas para dentro do Congresso Nacional", frisou.

Na avaliação da ministra, não é necessário "segurar" o crescimento econômico por medo da inflação. "O que precisamos é criar condições para um crescimento justo e sustentável. E não temos que ter medo de falar em controle dos gastos públicos e responsabilidade fiscal", defendeu.

Nesse contexto, Tebet também ressaltou a importância de um planejamento cada vez maior no Orçamento federal, citando a experiência de países asiáticos que, segundo ela, têm conseguido estabelecer metas de médio e longo prazo e orientar investimentos a partir de indicadores concretos. "Gastar muito é ruim, mas gastar mal é pior ainda", afirmou, defendendo investimentos em ciência, tecnologia e inovação, além do corte de "gastos ruins".

A ministra também avaliou que o país encerra 2025 em situação melhor do que a prevista no início do ano, apesar de desafios como o elevado patamar da taxa de juros. Ela observou ainda que o PIB potencial do Brasil precisa ser revisto, pois já não estaria mais limitado a 1,5%.

Compromisso com controle de despesas em 2026

Tebet afirmou que não haverá novos gastos públicos por parte do governo federal em 2026. Apesar desse compromisso, ela destacou a necessidade de avançar na agenda de corte de gastos, especialmente nos benefícios tributários. "Para 2026, quero afirmar, não haverá novos gastos públicos, mas, mesmo assim, precisamos avançar com o corte, ainda que linear, que não é o ideal, mas é o possível, em relação aos gastos tributários", declarou.

Ela reforçou a importância de planejamento no Orçamento e ressaltou que o Brasil precisa superar práticas de improviso e desperdício. Como exemplo, citou o elevado investimento na educação, contrastando com o baixo desempenho do país em indicadores internacionais de ensino público.

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