Pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência expõe divisões na direita
Anúncio do senador acirra debates entre aliados e provoca reação negativa no mercado financeiro, com forte queda da Bolsa.
Anúncio do senador surpreende e divide lideranças da direita, que questionam sua capacidade de agregar votos para vencer a disputa presidencial. O mercado financeiro reagiu negativamente, com a Bolsa registrando a maior queda desde 2021 após sucessivos recordes.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou que pretende disputar a Presidência da República em 2026, substituindo o pai, Jair Bolsonaro, na corrida eleitoral. A decisão frustrou parte das lideranças da direita, especialmente aquelas mais próximas ao ex-presidente.
De acordo com o portal Poder360, o principal receio entre aliados é a alta rejeição ao nome da família Bolsonaro, fator que poderia limitar o potencial de votos do senador. Também há preocupação de que a candidatura de Flávio restrinja o debate político a temas morais e identitários, repetindo o cenário das eleições de 2022 e afastando discussões sobre economia e segurança pública — esta última considerada central para o próximo pleito e vista como um desafio para o PT e o presidente Lula.
A repercussão do anúncio também foi negativa no mercado financeiro. Na sexta-feira (4), data em que Flávio foi anunciado como pré-candidato pelo pai, a Bolsa de Valores registrou a maior queda desde 2021: um recuo de 4,31%, equivalente a 7.086 pontos a menos em relação ao dia anterior, logo após atingir um recorde histórico.
Apesar das dúvidas, há setores da direita que veem o anúncio com otimismo. Para esses, Flávio Bolsonaro é considerado o membro mais habilidoso politicamente da família, demonstrando uma frieza que falta aos irmãos Eduardo e Carlos. Essa característica poderia facilitar o diálogo com a centro-direita e permitir uma campanha mais estratégica.
Outro argumento favorável é a força do sobrenome Bolsonaro, dispensando a necessidade de associação direta ao ex-presidente, como ocorre com outros pré-candidatos da direita, entre eles os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO).
Aliados também destacam a proximidade de Flávio com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), especialmente em temas de segurança pública, após a polêmica megaoperação no Complexo do Alemão, que resultou em 122 mortos.
Na noite de sexta-feira, dois dos principais nomes cotados para disputar o espólio bolsonarista se manifestaram nas redes sociais. Ronaldo Caiado afirmou que a escolha cabe a Bolsonaro e à sua família, e que respeita a decisão:
"É uma decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, juntamente com sua família, e cabe a todos nós respeitá-la. Ele tem o direito de buscar viabilizar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro. Da minha parte, sigo pré-candidato a presidente e estou convicto de que no próximo ano vamos tirar o PT do poder e devolver o Brasil aos brasileiros", escreveu.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG), também comentou o anúncio, destacando que múltiplas candidaturas fortalecem a direita:
"Então, faz todo sentido o Flávio apresentar seu nome à presidência. É justo e democrático. Sigo trabalhando todos os dias para tirar o PT do Palácio do Planalto, assim como fizemos em Minas Gerais, quando derrotamos o PT e encerramos anos de má gestão. O brasileiro precisa voltar a se orgulhar de nosso país, eu acredito que podemos muito mais", afirmou Zema.
Outros nomes cogitados, como o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD-PR), e Tarcísio de Freitas, considerado o mais próximo de Bolsonaro, ainda não se pronunciaram sobre a pré-candidatura de Flávio.
Por Sputinik Brasil