COMÉRCIO EXTERIOR

Novas tarifas do México podem impactar R$ 1,7 bilhão em exportações brasileiras

Medida aprovada pelo Congresso mexicano eleva tarifas de importação para produtos de países sem acordo comercial, incluindo o Brasil. CNI pede negociação urgente.

Publicado em 12/12/2025 às 14:35
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que as novas tarifas impostas pelo México podem afetar US$ 1,7 bilhão – equivalente a 14,7% das exportações brasileiras ao país em 2024. A entidade aguarda possíveis ajustes no escopo da medida para calcular com mais precisão o impacto sobre o comércio bilateral.

O Congresso mexicano aprovou na última quarta-feira (10) um aumento de pelo menos 35% nas tarifas de importação para 1,4 mil produtos provenientes de 12 países com os quais não mantém acordos comerciais, incluindo o Brasil e a China – este último, o principal afetado. A expectativa é que as novas tarifas entrem em vigor em 1º de janeiro de 2026.

A medida foi aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado no mesmo dia. O partido da presidente Claudia Sheinbaum, que defende as tarifas como forma de fortalecer a produção nacional, controla ambas as Casas legislativas.

A CNI ressalta que é fundamental que o governo brasileiro avance nas negociações para um acordo de livre comércio mais amplo com o México, considerado um mercado prioritário para a indústria nacional. “A medida é considerada fundamental para proteger e ampliar a relação comercial bilateral, sobretudo neste momento”, afirma a entidade.

Segundo análise preliminar da CNI, os acordos bilaterais existentes são insuficientes e, diante do novo cenário, a competitividade do Brasil pode ser reduzida.

A entidade defende que os governos de Brasil e México intensifiquem o diálogo para buscar isenção ou diferenciação dos produtos brasileiros em relação às novas tarifas, que, segundo a CNI, vão na contramão das negociações em andamento. “Isso permitirá a manutenção do compromisso conjunto de modernizar a relação econômica, à medida que se cumpre com celeridade o cronograma do plano de trabalho para atualização dos acordos comerciais”, acrescenta a CNI.

Até o momento, o governo brasileiro não se pronunciou oficialmente sobre o tema, que segue em análise pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.