VIOLÊNCIA

Mulher sequestrada e torturada por facção criminosa morre após 24 horas desaparecida

Vítima foi encontrada gravemente ferida na Grota do Rafael, em Maceió; polícia investiga ligação do crime com disputa entre facções

Publicado em 12/12/2025 às 15:01
tnh1

Morreu na manhã desta sexta-feira (12) Rosana dos Santos, mulher que havia sido sequestrada e brutalmente torturada por integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) na Grota do Rafael, no bairro do Jacintinho, em Maceió. Ela estava desaparecida havia cerca de 24 horas e foi encontrada em estado gravíssimo na manhã da quinta-feira (11).

Rosana chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Geral do Estado (HGE), no Trapiche da Barra, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos. A confirmação da morte foi feita, em primeira mão, pelo delegado Daniel Aquino, em entrevista ao programa Fique Alerta, da TV Pajuçara.

Segundo o delegado, a vítima apresentava sinais evidentes de espancamento. “Ela havia sido muito espancada, perdeu alguns dentes, inclusive. Não havia marcas de facas. A suspeita é que ela tenha sido estrangulada. Ela chegou a sobreviver naquele momento, mas, em razão da gravidade das lesões, acabou falecendo”, afirmou.

O caso está ligado à morte do companheiro de Rosana, Anderson Ferreira do Nascimento, de 19 anos, que também foi assassinado por estrangulamento pelo mesmo grupo criminoso. A principal linha de investigação aponta que os crimes tenham sido motivados por disputas entre facções que atuam na região.

De acordo com as investigações, o casal morava anteriormente na Grota do Cigano e se mudou para a Grota do Rafael após não ser mais aceito no local de origem. Os suspeitos teriam acusado Rosana e Anderson de integrarem o Comando Vermelho, facção rival do PCC, que domina a área onde passaram a residir.

“O rapaz teria fugido da Grota do Cigano por não participar de nenhuma facção, mas, ao chegar à Grota do Rafael, os autores do crime não acreditaram nessa versão. Antes de morrer, Rosana relatou que eles estavam sendo obrigados a admitir que eram ‘batizados’ na facção oposta”, explicou o delegado Daniel Aquino.

Conforme a apuração policial, na última quarta-feira (10), o casal foi abordado por cinco pessoas — três homens e duas mulheres — e levado para uma área de mata, onde ambos foram torturados.

Rosana e Anderson deixam um bebê de apenas um mês, que ficou sob os cuidados de uma tia, e uma menina de oito anos, que foi quem encontrou a mãe ferida.

A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) segue à frente das investigações. Até o momento, nenhum suspeito foi preso. Informações que possam ajudar a localizar os autores podem ser repassadas de forma anônima por meio do Disque Denúncia, pelo telefone 181. O serviço é gratuito e garante sigilo absoluto.