Grande São Paulo ainda enfrenta apagão e serviços prejudicados após ciclone
Dois dias após ciclone extratropical, centenas de milhares seguem sem luz e enfrentam impactos em serviços essenciais.
A Grande São Paulo permanece, nesta sexta-feira (12), com centenas de milhares de imóveis sem energia elétrica, dois dias após a passagem de um ciclone extratropical que provocou ventos de quase 100 km/h e destruiu parte da infraestrutura da região.
Relatórios da concessionária Enel apontam que entre 670 mil e 835 mil imóveis seguem sem fornecimento de energia em diversos municípios da área metropolitana e na capital paulista, ainda sem previsão definida para a normalização total do serviço.
Os efeitos do apagão vão além do corte de luz: o abastecimento de água foi comprometido em vários bairros da capital devido à paralisação das bombas da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que dependem de eletricidade para funcionar.
Em nota, a Enel informou que o restabelecimento do serviço é "complexo", pois exige a substituição de postes, transformadores e a recondução de cabos danificados pelo vendaval, que também derrubou árvores e deixou algumas regiões intransitáveis.

A ausência de energia também impacta o trânsito urbano, com semáforos desligados em diversos bairros e aumento dos congestionamentos, agravando a mobilidade no início do fim de semana.
Autoridades da Defesa Civil alertam que, embora o clima esteja estável nesta sexta, os reflexos do desastre climático continuam a afetar a rotina dos moradores e a operação de serviços públicos.
Segundo a Sputnik Brasil, unidades de saúde enfrentam dificuldades de funcionamento e açougues registram prejuízos devido à perda de carnes após o corte de energia.
O Procon-SP notificou a Enel nesta sexta-feira, exigindo explicações detalhadas sobre o plano de atendimento e as medidas emergenciais após relatos de atrasos no retorno da energia e reclamações sobre informações inconsistentes aos consumidores.
No pico da crise, mais de 2,2 milhões de clientes foram afetados pelo apagão na região metropolitana de São Paulo. Desde então, a concessionária afirma ter restabelecido o serviço para a maioria dos consumidores, mas admite que ainda não há prazo para solucionar todos os pontos críticos.
Responsabilidade da Enel
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), ao ser questionado nesta sexta-feira (12) sobre uma possível intervenção do governo estadual na Enel, afirmou esperar que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) atue com rigor em suas funções regulatórias e de fiscalização.
Alckmin ressaltou que o Estado "deixou de ser executor de tudo" e que, por se tratar de uma empresa privada, cabe à agência reguladora supervisionar o desempenho e o atendimento prestado pela concessionária.
As declarações foram dadas a jornalistas antes da saída de Alckmin do 8º Seminário Internacional de Líderes, realizado na capital paulista. Ao longo da semana, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) defenderam alguma forma de intervenção na distribuidora diante da demora na normalização do serviço.