Parlamento Europeu suspende acordo comercial com EUA após impasse sobre Groenlândia
Decisão é resposta à ameaça de tarifas dos Estados Unidos caso União Europeia não ceda sobre controle da Groenlândia.
O Parlamento Europeu suspendeu formalmente, nesta quarta-feira (21), o processo de ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos. A decisão, reportada pelo The Guardian, foi motivada pela ameaça do presidente Donald Trump de impor tarifas de 10% sobre exportações europeias caso o bloco não aceitasse que Washington assumisse o controle da Groenlândia.
No mesmo dia, Trump afirmou que desistiria das tarifas aos europeus e buscaria negociar um acordo sobre a Groenlândia diretamente com a Otan. Em publicação na rede social Truth Social, o presidente americano informou que a decisão foi tomada após reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, na qual ambos concordaram em estabelecer um cronograma para tratar do tema.
Segundo o Guardian, a suspensão da ratificação do acordo UE-EUA representa a resposta mais contundente da União Europeia até o momento diante do que líderes europeus classificaram como chantagem. O presidente da comissão de comércio do Parlamento Europeu, Bernd Lange, declarou que não haverá avanços nas negociações enquanto persistirem ameaças relacionadas à Groenlândia.
O acordo previa uma nova fase de tarifas zero para diversas exportações industriais entre os dois lados do Atlântico. Ainda de acordo com Lange, a suspensão não afeta o compromisso da União Europeia de adquirir US$ 750 bilhões em energia dos Estados Unidos, pois trata-se de um acordo separado do pacote tarifário.
Antes da reversão de Trump, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, retornou a Bruxelas após discursar no Parlamento Europeu, cancelando sua ida a Davos para um encontro com o presidente americano. Von der Leyen voltou para preparar uma cúpula de emergência, convocada para discutir as opções em caso de concretização da ameaça tarifária dos EUA, informou o Guardian.
Entre as alternativas analisadas pela UE estavam a possibilidade de impor tarifas de até € 93 bilhões sobre exportações americanas e acionar um instrumento anticoerção inédito. Os Estados Unidos, por sua vez, poderiam enfrentar tarifas adicionais sobre seus produtos e restrições à atuação de companhias americanas em setores específicos do mercado europeu.
A presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D), Iratxe García Pérez, também criticou a postura americana, afirmando que a decisão de Trump exigia uma resposta imediata e contundente. Iratxe dirigiu suas críticas à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ressaltando ter alertado para as políticas do presidente americano.
"A Europa tem poder econômico, comercial e político. A questão é se estamos dispostos a usá-lo. Diante das tarifas e das ameaças à Groenlândia, a resposta deve ser imediata e firme: suspender as negociações do acordo comercial com os Estados Unidos, ativar o instrumento anticoerção e reforçar a presença militar na Groenlândia", afirmou a parlamentar.