DIREITOS TRABALHISTAS

Fim da escala 6 x 1 pode impulsionar valorização da CLT entre jovens, afirma Boulos

Ministro destaca impacto positivo da mudança para o regime CLT, especialmente para mulheres e jovens, e rebate críticas do setor empresarial.

Por Sputinik Brasil Publicado em 20/03/2026 às 14:55
Ministro Boulos defende fim da escala 6 x 1 e destaca impacto positivo para jovens e mulheres. © Sputnik Brasil / Melissa Rocha

Durante evento no Rio de Janeiro, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que o fim da escala 6 x 1 é um passo importante para recuperar o interesse dos jovens pelo regime CLT e que as mulheres são as mais afetadas pelo atual modelo, devido à dupla jornada.

Boulos participou do Debate na Rua, iniciativa do governo federal para ampliar o diálogo com a população, realizado na Central do Brasil, na manhã desta sexta-feira (20). Ele esclareceu dúvidas sobre a proposta e garantiu que a transição para a escala 5 x 2 será negociada, mas não deve ultrapassar 60 dias. Após a implementação, haverá fiscalização rigorosa e empresas que descumprirem a medida serão multadas.

"Nós vamos ter que identificar. A fiscalização do trabalho, auditores fiscais do trabalho, fiscalização do Ministério Público do Trabalho, fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, nós vamos ter que fazer uma força-tarefa e um mutirão de fiscalização para não deixar patrão descumprir. Vai ter que ter multa pesada."

O ministro também alertou que, em caso de reincidência, a empresa pode ter sua licença de operação cassada, a exemplo do que prevê a Medida Provisória (MP) 1.343/2026, conhecida como MP dos Caminhoneiros, que endurece a fiscalização do cumprimento do piso mínimo do frete.

"O governo estava multando, mas, mesmo com a multa, a empresa fazia o cálculo, e, às vezes, para ela era mais barato pagar a multa do que garantir o piso para o trabalhador. Na MP que o Lula assinou […], em caso de reincidência, a empresa vai poder ter a sua licença de operação cassada. É assim que nós temos que fazer também, depois que acabar com a 6 x 1."

Boulos rebateu críticas de empresários que alegam que a escala 5 x 2 pode prejudicar a economia. Segundo ele, pequenos e médios empresários terão apoio do governo, possivelmente por meio do Sebrae, para implementar a medida. Grandes empresas, por sua vez, não receberão compensação, pois têm condições de absorver o impacto.

"Existe a possibilidade, via Sebrae, de você criar estímulos e condições para que essa pequena empresa possa, cada vez mais, reduzir a jornada de trabalho sem reduzir a sua entrega de serviço."

O ministro destacou ainda que a reforma trabalhista de 2017 precarizou o trabalho com carteira assinada e afastou os jovens do regime CLT. Para ele, o fim da escala 6 x 1 representa o início de uma nova valorização do modelo.

"Hoje, o trabalho em CLT, ele é um trabalho, em grande medida, precarizado, em que o trabalhador trabalha para caramba, em que o trabalhador fica exausto […]. A partir do momento que o Lula assinar a lei do fim da 6 x 1, vai ser obrigatório ter dois dias de descanso, no mínimo, por semana. Isso já vai começar a mudar a visão do trabalhador celetista."

Boulos ressaltou que as mulheres são as mais prejudicadas pela escala 6 x 1, pois acumulam a jornada de trabalho formal com as tarefas domésticas, ainda vistas como responsabilidade feminina. Ele citou pesquisa do IPEA que aponta que a maioria dos trabalhadores submetidos à escala 6 x 1 são mulheres.

"A 6 x 1 é mais frequente no comércio, nos serviços, no varejo. Então nós estamos falando da atendente do supermercado, da caixa. Nós estamos falando da cozinheira de um restaurante ou de uma lanchonete. […] As mulheres, hoje, são as principais afetadas pela 6 x 1."