'Não somos mais países colonizados', afirma Lula ao defender a soberania da América Latina
Presidente brasileiro critica atuação da ONU e destaca papel da América Latina e África em fórum internacional
Lula participa da X Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e do I Fórum CELAC-África, realizados neste sábado (21) em Bogotá, na Colômbia.
Durante o encontro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania dos países latino-americanos e caribenhos, criticando a atuação das instituições internacionais diante de conflitos globais.
“Não somos mais países colonizados. Nós conquistamos soberania com a nossa independência. Nós não podemos permitir que alguém possa se intrometer e ferir a integridade territorial de cada país”, afirmou Lula.
O presidente também criticou o cenário internacional atual, destacando o que considera uma falha no funcionamento da Organização das Nações Unidas (ONU). “O que nós estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas.”
O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo as guerras.
Em seu discurso, Lula enfatizou a gravidade do cenário global. “Eu estou extremamente preocupado com o que está acontecendo no mundo de hoje. É importante que a gente não esqueça nunca que o mundo de hoje está vivendo a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial.”
Ao tratar da relação com a África, Lula destacou o potencial agrícola do continente e a cooperação brasileira: “A África é uma enorme potência agrícola e pode se tornar um grande produtor mundial de alimentos. O Brasil está comprometido em contribuir para esse esforço. A Embrapa retornou ao continente africano com o escritório de cooperação.”
O presidente também mencionou a chamada “dívida histórica” do Brasil: “Apesar de ter implementado diversas políticas públicas de igualdade racial, como as leis de cotas, o Brasil ainda está longe de pagar a sua dívida com a África por 350 anos de escravidão”, afirmou durante o 1º Fórum Celac-África.
Por Sputnik Brasil