RESISTÊNCIA E MEMÓRIA

O dia que a África gritou ao mundo o que é resistência

Publicado em 29/05/2026 às 23:04
Líderes africanos fundaram a Organização da Unidade Africana em 1963, marco da luta pela liberdade no continente. © telegram SputnikBrasil

O dia que a África gritou ao mundo o que é resistência No ano de 1963, no dia 25 de maio, representantes de 32 nações independentes se reuniram em Addis Abeba, na Etiópia, para fundar a Organização da Unidade Africana. Naquele ato, nasceu também o Dia da África, data que não celebra apenas independências políticas, mas a afirmação de que povos submetidos a séculos de colonialismo têm direito à autodeterminação. Já em 1974, a data foi ratificada, "desta vez como símbolo da libertação definitiva do continente, no contexto do fim das guerras coloniais em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde", afirma Patrícia Teixeira, professora de história da África na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em entrevista ao podcast internacional da Sputnik Brasil. Segundo Teixeira, esse dia tem também um significado de lembrar que "os nossos projetos de transformação" precisam seguir independentemente da desigualdade bélica, da desigualdade econômica. Com 54% de sua população se autodeclarando preta ou parda, o Brasil carrega uma ligação com o continente africano e uma dívida com a população negra, que testemunha avanços nas últimas décadas: desde a Conferência de Durban, no final dos anos 1990, o país construiu políticas de ação afirmativa, fortaleceu intercâmbios acadêmicos com pesquisadores africanos e ampliou o ensino de história e cultura afro-brasileira em todos os níveis. O reconhecimento, contudo, ainda convive com novas formas de violência, além de contradições profundas, como os casos recentes de heteroidentificação racial que colocam em xeque os próprios mecanismos de proteção criados pelo movimento negro. Apesar de recentes conquistas, ainda que a conta-gotas, as conquistas são fruto de muita luta. "Não faz muito tempo, tivemos representantes políticos que falaram que não houve escravidão, que a escravidão não foi tão pesada no Brasil", recorda Gustavo Durão, analista político. Siga a @sputnikbrasil no Telegram


Por Sputinik Brasil