ASTRONOMIA

Cientistas mapeiam buraco negro minúsculo que fez uma estrela brilhar mais por 1 hora (IMAGENS)

Publicado em 01/06/2026 às 12:14
Simulação artística de buraco negro primordial causando aumento de brilho em estrela distante. © Foto / Colaboração EHT

Astrônomos identificaram em 2019 um breve aumento de brilho em uma estrela da Grande Nuvem de Magalhães que pode revelar Phoebe, um possível buraco negro primordial de massa lunar, reacendendo o debate sobre esses objetos.

Uma estrela distante surpreendeu astrônomos em 2019 ao exibir um aumento suave de brilho que durou cerca de uma hora antes de voltar ao normal — um comportamento que não combinava com erupções estelares, supernovas ou outros padrões conhecidos de variabilidade.

Após anos de análise, uma equipe liderada por Renee Key, da Universidade de Tecnologia de Swinburne, sugere que o fenômeno pode ter sido causado por Phoebe, um possível buraco negro primordial com apenas três massas lunares, cujo horizonte de eventos teria o tamanho de um ponto final de frase.

Buracos negros tão leves não se formam pela morte de estrelas, mas poderiam ter surgido logo após o Big Bang, quando flutuações quânticas criaram regiões densas o suficiente para colapsar. Esses objetos teóricos seriam minúsculos e praticamente invisíveis, já que mesmo a luz emitida por acreção seria fraca demais para ser detectada da Terra. No entanto, sua gravidade extrema poderia curvar o espaço-tempo e produzir eventos de microlente gravitacional — breves aumentos de brilho em estrelas de fundo.

Foi exatamente esse tipo de sinal que a Câmera de Energia Escura registrou em dezembro de 2019, durante o levantamento Microlente de Buracos Negros Primordiais de Massa Asteroidal (AMPM, na sigla em inglês) — dedicado a detectar aumentos muito sutis de brilho em estrelas — ao observar a Grande Nuvem de Magalhães. Por cerca de 60 minutos, apenas uma estrela apresentou aumento de brilho, enquanto as vizinhas permaneceram estáveis. Eventos assim são raros, mas já foram atribuídos a buracos negros de massa estelar, estrelas tênues ou exoplanetas errantes.

Para avaliar Phoebe, os pesquisadores descartaram falhas instrumentais, erupções estelares e contaminações, e modelaram três cenários de microlente: um exoplaneta errante na Via Láctea, outro na Grande Nuvem de Magalhães e um buraco negro primordial no halo de matéria escura da galáxia. As estatísticas indicaram que o objeto tem uma probabilidade muito maior de pertencer ao halo galáctico do que a populações estelares conhecidas.

A hipótese preferida é a de um buraco negro primordial a cerca de 59 mil anos-luz, embora um exoplaneta errante ainda seja possível. No entanto, como o halo da Via Láctea é pouco povoado por estrelas, um buraco negro seria mais provável ali do que um planeta solitário, geralmente associado a regiões mais densas.

A descoberta surge em meio a um debate recente. Em 2026, astrônomos dos EUA e do Japão identificaram 12 possíveis microlentes em Andrômeda que poderiam ser causadas por buracos negros primordiais, mas uma equipe da Universidade de Varsóvia contestou a interpretação, atribuindo todos os eventos a estrelas comuns. O novo estudo reacende a discussão ao reforçar a possibilidade de uma população de objetos compactos de massa lunar.

Para Key e colegas, Phoebe fortalece a interpretação original dos dados do Subaru e sugere que buracos negros primordiais podem realmente existir, oferecendo pistas sobre matéria escura e até sobre a física da inflação cósmica.


Por Sputinik Brasil