LOGÍSTICA

Concessão de hidrovias no Brasil pode reduzir custos logísticos e impulsionar o Norte

Governo quer ampliar concessões de hidrovias para melhorar o escoamento de produtos, mas projetos enfrentam críticas ambientais e indígenas.

Publicado em 08/06/2026 às 21:32
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O governo do Brasil planeja avançar nos trabalhos de concessão de hidrovias como forma de reduzir os custos logísticos de escoamento de produtos, ampliar a matriz de transportes e estimular o desenvolvimento, sobretudo na região Norte do país.

No entanto, projetos desse tipo enfrentam críticas de movimentos indígenas e ambientais.

O professor Levi Salvi ressalta que o Brasil tem o privilégio de contar com a maior malha hidrográfica do mundo, com grande parte naturalmente navegável, mas afirma que esse potencial ainda é pouco aproveitado.

Para Salvi, o principal entrave para o avanço do modal hidroviário é o baixo investimento em infraestrutura ao longo dos anos. "Existem também fatores secundários, como a lentidão dos processos burocráticos e do licenciamento ambiental", afirmou.

Esse subaproveitamento do potencial hídrico para os transportes causa consequências econômicas severas para o Brasil, aponta à Sputnik Brasil o diretor técnico da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), Leonam dos Santos Guimarães.

Guimarães considera que a concessão de hidrovias não representa uma privatização, pois a infraestrutura continua pública e a titularidade da via navegável permanece com a União.

Ele afirma que as concessões podem abrir um novo debate sobre soberania, já que as hidrovias não são apenas corredores econômicos: elas também têm importância estratégica, ambiental, social, territorial e, em alguns casos, militar.

Já para o oceanógrafo Marcos Antonio dos Santos Fernandez, a concessão é uma forma de privatização, pois envolve a administração de um recurso natural por uma empresa privada. No entanto, ele destaca que essa privatização pode ser positiva, a depender da maneira como for feita.