Analista aponta diferença entre encontros de Trump com Lula e Flávio Bolsonaro
Monica Hirst avalia que a recepção ao senador não teve caráter pragmático e manteve vínculo ideológico com o bolsonarismo
A agenda do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no último mês, teve a presença de brasileiros em momentos distintos. De um lado, houve recepção protocolar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva; de outro, a visita do senador Flávio Bolsonaro ao Salão Oval.
Apesar de os gestos parecerem semelhantes, a avaliação da pesquisadora Monica Hirst é de que os encontros são assimétricos. Segundo ela, a decisão de receber Flávio Bolsonaro não teve caráter pragmático. Se tivesse, Trump “não teria recebido o potencial candidato opositor do chefe de Estado, que havia sido recebido dez dias antes”.
Para o analista, o encontro com Flávio Bolsonaro representa um compromisso de Trump de “não deixar para trás” uma vinculação ideológica já estabelecida com o bolsonarismo. “Se não deixa para trás, coloca para frente”, afirmou.
Monica Hirst também avaliou que o Brasil recebe dos Estados Unidos o mesmo tratamento dado a outras repúblicas latino-americanas. "Isso é uma coisa que incomoda muito o Brasil, em geral, e esse governo, em particular. Esse governo tem reivindicado um tratamento à altura do peso político e econômico que o país tem na região e no contexto internacional", acrescentou.
Entre os temas que atravessaram os encontros estão as novas tarifas impostas ao Brasil, a classificação de facções criminosas como organizações terroristas e a soberania nacional, especialmente em relação ao Pix.
Enquanto Lula defende a soberania nacional, Flávio Bolsonaro comemorou uma sinalização favorável de Trump à designação das facções. Depois, tentamos evitar a acusação de descontos contra empresas brasileiras.
Por Sputnik Brasil