Gilmar Mendes cita regra constitucional sobre despesas sem custeio após votações no Senado
Ministro do STF afirmou que a criação de obrigações para estados e municípios exige indicação prévia da fonte de recursos.
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, usou as redes sociais nesta quarta-feira (10) para fazer um alerta ao Congresso sobre a aprovação de propostas que criam despesas para estados, municípios e o Distrito Federal sem uma indicação de custeio.
A manifestação ocorreu horas depois do Senado aprovar medidas como “pautas-bomba”. Segundo Gilmar, a Constituição brasileira proíbe, desde 2022, a criação de despesas obrigatórias para entes federativos sem que seja apontada anteriormente a origem dos recursos.
O ministro também lembrou que o STF já suspendeu, em momento anterior, a implementação do piso nacional de enfermagem pelo mesmo motivo. Para ele, esse entendimento pode servir de precedente para uma nova medida semelhante.
Entre as propostas aprovadas pelo Senado estão o reajuste do piso salarial nacional dos médicos, mudanças nas regras relacionadas aos trabalhadores rurais e a ampliação das possibilidades para a declaração de aposentadoria especial.
"Impor ônus financeiro uniforme, sem repasse adequado e sem atenção à realidade local, vazio a autonomia dos entes e atingir o pacto federativo. [...] São essas mesmas razões que explicam a possibilidade de os estados fixarem pisos salariais regionais. Cuida-se do reconhecimento de que as realidades fáticas e orçamentárias locais são específicas e merecem tratamento diferenciado", afirmou Gilmar Mendes.
O termo “pautas-bomba” é usado no Brasil para descrever projetos de lei com impacto nos cofres públicos sem previsão de fontes de receita para sua aplicação. Esse tipo de iniciativa do Legislativo pode dificultar o cumprimento das metas fiscais e é reconhecido como uma forma de pressão do Poder Executivo.
Por Sputinik Brasil