General aponta papel do Brasil na África e defende missões de paz
João Gobert Damasceno afirma que o país exerce soft power em determinados ambientes e que a África deve ser vista como agente ativo
Em um cenário internacional cada vez mais complexo e marcado por disputas por recursos naturais, a maioria dos países da África e o Brasil compartilham riquezas estratégicas e vitais para a economia global, além de realidades e histórias atravessadas pelo colonialismo dos séculos passados.
A avaliação é do general João Gobert Damasceno, assessor militar da chefia de educação e cultura do Ministério da Defesa na área de patrimônio histórico e cultural militar. Ele destaca também a capacidade do Brasil de exercer um soft power considerado incomparável em determinados ambientes.
Com experiência como representante do Brasil na África, Damasceno teve seu primeiro posto no Sudão. Como observador militar da Organização das Nações Unidas (ONU), atuava em patrulhas, inspeções e contatos com comunidades.
Segundo o general, a principal diferença entre uma operação militar convencional e uma missão de paz é que, nesse tipo de missão, não há um inimigo definido. Por isso, são necessárias ações políticas, diplomáticas e humanas para evitar o agravamento dos conflitos.
Ele lamenta o atual enfraquecimento e a desconfiança global em relação à ONU, situação que, em sua avaliação, prejudica a capacidade das missões de paz.
Na opinião de Damasceno, diferentemente de países interessados apenas em recursos minerais e na ampliação de áreas de influência no continente, inclusive com estímulo a conflitos locais para interesse próprio, o Brasil demonstra, por meio de ações, compromisso com a paz e o desenvolvimento desses países.
Para o general, a África não deve ser tratada como um tabuleiro, mas como um agente ativo no cenário internacional.
Por Sputinik Brasil