ELEIÇÕES 2026

PGR promete reação a deepfakes e atuação de facções na campanha de 2026

Paulo Gonet afirmou que a Procuradoria e o TSE estão atentos ao uso de inteligência artificial e à interferência de organizações criminosas

Por Estadao Conteudo Publicado em 13/06/2026 às 10:59

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) dará resposta imediata ao uso de deepfakes — vídeos ou áudios manipulados por inteligência artificial (IA) para simular falas e imagens de pessoas reais — e à interferência de facções criminosas nas eleições de 2026.

Em entrevista ao EsferaCast, Gonet disse que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Procuradoria estão atentos ao tema. “O TSE Tribunal Superior Eleitoral está atento a isso e a Procuradoria Geral também”, declarou. Ele também reconheceu a dificuldade de diferenciar conteúdos produzidos por IA com uso malicioso de produções legítimas.

Gonet alertou ainda para o risco de facções e milícias impedirem candidatos de fazer campanha em áreas sob seu controle. “O Estado brasileiro não pode conviver com estados paralelos, montados e dirigidos por organizações criminosas”, afirmou.

O procurador-geral também comentou a recente classificação de facções brasileiras como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos. Segundo ele, a decisão americana expõe o Brasil a uma imagem negativa no exterior, mas pode ter efeito positivo ao estimular a união dos órgãos públicos no enfrentamento ao crime organizado.

Questionado sobre como a PGR se protege de pressões políticas em ano eleitoral, Gonet afirmou que a Procuradoria mantém sua independência ao seguir o ritmo do direito, e não a velocidade da mídia.

Gonet também criticou a judicialização excessiva de conflitos na sociedade brasileira. Para ele, há uma tendência crescente de levar ao Judiciário conflitos cotidianos, das relações de consumo às disputas políticas.

O procurador afirmou ainda que o Supremo Tribunal Federal (STF) se tornou uma terceira câmara do Congresso e um espaço para partidos pequenos que não conseguem voz no Legislativo e levam seus embates à Corte.