SOLUÇÕES AMBIENTAIS

Ufal participa de audiência pública sobre restauração de manguezais no caso Braskem

Estudos e colocações apresentadas em evento promovido pelo MPF contribuirão para soluções ambientais em Alagoas

Por Ascom Ufal Publicado em 20/03/2026 às 14:25
Participação ativa da Ufal reforça o papel da instituição como referência em ensino e pesquisa na área ambiental, contribuindo com análises técnicas e propostas baseadas em evidências científica

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) participou, na tarde da última segunda-feira (16), de audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas. O objetivo do encontro foi discutir, com instituições e a sociedade civil, soluções ambientais para definir áreas de restauração de manguezais, em razão do Acordo Socioambiental firmado com a Braskem.

Convidada, a Ufal foi representada pelos professores Nélia Henriques Callado, do Centro de Tecnologia (Ctec/Ufal), e Jairo Lizandro Schmitt, doutor em Botânica e professor do Campus Arapiraca, além dos alunos Alexandre Lemos Ferreira Junior e Debora Camily Moura Barros, estudantes membros do Laboratório de Pesquisa em Estuários e Manguezais (Lapem).

Durante a audiência, a Tetra Tech, contratada pela Braskem para a execução do Plano de Recuperação, expôs o que já foi realizado e as principais dificuldades encontradas, como o acesso e a avaliação em campo, a ausência de mapeamento prévio das áreas aptas e problemas operacionais gerais.

Em seguida, com a abertura para manifestações de entidades e da sociedade civil, foram levantados pontos como a inclusão de pescadores e marisqueiras na definição das áreas de recuperação, destacando a importância do conhecimento das comunidades locais. Também foram apontados como desafios a regularização fundiária dos manguezais e a delimitação entre áreas públicas e privadas.

Representando o Lapem, Alexandre Lemos destacou que a restauração dos manguezais é uma medida estratégica tanto para a reparação dos danos ambientais causados pela Braskem quanto para a preservação de serviços ecossistêmicos essenciais, além de funcionar como espaço de pertencimento cultural das comunidades ribeirinhas. “Também são aliados no enfrentamento das mudanças climáticas, pela capacidade de captura de carbono, retenção de poluentes e proteção contra eventos extremos, como enchentes, erosão e avanço do mar”, concluiu.

Em sua fala, a professora Nélia Callado ratificou a importância dos manguezais e sugeriu, entre as propostas apresentadas, a criação de parques urbanos de manguezal em Maceió. Segundo ela, o modelo já é adotado em outras capitais brasileiras e tem como função aliar recuperação ambiental, educação ecológica e uso público qualificado.

Diante das propostas apresentadas, a mesa de honra, composta por membros do MPF, do Ministério Público de Alagoas e representantes do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) e da Tetra Tech, fez considerações acerca das sugestões. Em relação ao Lapem, o MPF solicitou que os dados e estudos apresentados fossem encaminhados para melhor análise.

A participação ativa da Ufal reforça o papel da instituição como referência em ensino e pesquisa na área ambiental, contribuindo com análises técnicas e propostas baseadas em evidências científicas e evidenciando a importância da articulação entre academia, poder público e sociedade.

Sobre o Lapem

O Laboratório de Pesquisa em Estuários e Manguezais (Lapem), vinculado à Universidade Federal de Alagoas, por meio do Campus de Engenharias e Ciências Agrárias (Ceca), atua na investigação de aspectos biológicos dos estuários e manguezais de Alagoas.

Coordenado pelo professor doutor Alexandre Oliveira, o laboratório desenvolve estudos sobre a dinâmica populacional de macrocrustáceos e a caracterização estrutural dos manguezais. As pesquisas produzidas pelo Lapem contribuem diretamente para o embasamento de debates ambientais e para a formulação de soluções voltadas à conservação desses ecossistemas.

Entre as principais iniciativas, o Lapem realizou o mapeamento estrutural dos manguezais do sul de Alagoas, abrangendo os municípios de Coruripe, Jequiá da Praia, Roteiro e Marechal Deodoro, além do Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba. O laboratório também participa de pesquisas voltadas à restauração ecológica do ecossistema manguezal, integrando o Projeto Pró-Manguezais (conduzido pelo MP/AL e pelo MPF), que busca promover a conservação e o uso sustentável desses ambientes.

Além disso, atua no projeto Re-Mare, voltado à restauração ecológica de manguezais e restingas na costa amazônica maranhense, coordenado pela professora doutora Flávia Mochel, da Universidade Federal do Maranhão.

“Também atuamos em linhas de pesquisa que transformam os resíduos da pesca, principalmente da casca de siri, no que chamamos de biocarvão. Nossa ideia é ativar esse carvão, de origem animal, por meio de processos químicos e físicos, para utilização na biorremediação, na limpeza de águas, efluentes de esgoto, entre outros”, comentou o professor Alexandre Oliveira.

Mais informações sobre o Lapem podem ser acessadas no perfil do laboratório no Instagram @lapemoficial.ufal.

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