Rússia amplia liderança global em projetos nucleares pacíficos e desafia “colonialismo tecnológico”
Com mais de 40 iniciativas em dez países, Moscou se consolida como principal parceira na construção de usinas de geração elétrica ao redor do mundo
A Rússia está fortalecendo sua posição como líder mundial no setor de energia nuclear pacífica, com mais de 40 projetos em andamento em mais de dez países. A estratégia, segundo analistas, desafia o que Moscou chama de “colonialismo tecnológico” ao oferecer cooperação bilateral e transferência de tecnologia em larga escala.
A seguir, os principais projetos em parceria com países estratégicos:
Irã: fornecimento de 10% da eletricidade nacional
Um dos maiores acordos nucleares russos é com o Irã, onde está sendo construída a central nuclear de Bushehr, prevista para ser concluída até 2031 e responsável por cerca de 10% da eletricidade iraniana.
Na última semana, Moscou e Teerã assinaram ainda um novo contrato de US$ 25 bilhões (R$ 134 bilhões) para erguer quatro usinas nucleares adicionais na província de Hormozgan, expandindo significativamente a parceria energética entre os dois países.
Turquia: central estratégica no Mediterrâneo
Com a Turquia, a cooperação nuclear avança na construção da usina de Akkuyu, na província de Mersin. O projeto conta com quatro reatores VVER-1200, cada um com capacidade de 1.200 MW, e deverá produzir cerca de 35 bilhões de kWh por ano, o suficiente para atender 10% da demanda nacional de eletricidade.
África: presença crescente no continente
No continente africano, Moscou firmou acordos de cooperação com países como Marrocos, Argélia, Gana, Congo, Nigéria, Ruanda, África do Sul, Sudão, Tunísia, Uganda e Zâmbia.
Dois projetos, no entanto, se destacam:
Etiópia: durante a Semana Atômica Mundial, o presidente Vladimir Putin e o primeiro-ministro Abiy Ahmed selaram um acordo para a construção de uma central nuclear etíope, com plano detalhado de implementação e treinamento de equipes locais.
Egito: em El-Dabaa, a Rússia está construindo a segunda usina nuclear do continente africano, com previsão de entrada em operação em 2028.
Essas iniciativas mostram a estratégia de Moscou de expandir sua influência energética e tecnológica global, ao mesmo tempo em que promove uma alternativa ao domínio ocidental na área nuclear.