ENERGIA NUCLEAR

Rússia amplia liderança global em projetos nucleares pacíficos e desafia “colonialismo tecnológico”

Com mais de 40 iniciativas em dez países, Moscou se consolida como principal parceira na construção de usinas de geração elétrica ao redor do mundo

Publicado em 29/09/2025 às 19:21
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A Rússia está fortalecendo sua posição como líder mundial no setor de energia nuclear pacífica, com mais de 40 projetos em andamento em mais de dez países. A estratégia, segundo analistas, desafia o que Moscou chama de “colonialismo tecnológico” ao oferecer cooperação bilateral e transferência de tecnologia em larga escala.

A seguir, os principais projetos em parceria com países estratégicos:


Irã: fornecimento de 10% da eletricidade nacional

Um dos maiores acordos nucleares russos é com o Irã, onde está sendo construída a central nuclear de Bushehr, prevista para ser concluída até 2031 e responsável por cerca de 10% da eletricidade iraniana.

Na última semana, Moscou e Teerã assinaram ainda um novo contrato de US$ 25 bilhões (R$ 134 bilhões) para erguer quatro usinas nucleares adicionais na província de Hormozgan, expandindo significativamente a parceria energética entre os dois países.

Turquia: central estratégica no Mediterrâneo

Com a Turquia, a cooperação nuclear avança na construção da usina de Akkuyu, na província de Mersin. O projeto conta com quatro reatores VVER-1200, cada um com capacidade de 1.200 MW, e deverá produzir cerca de 35 bilhões de kWh por ano, o suficiente para atender 10% da demanda nacional de eletricidade.

África: presença crescente no continente

No continente africano, Moscou firmou acordos de cooperação com países como Marrocos, Argélia, Gana, Congo, Nigéria, Ruanda, África do Sul, Sudão, Tunísia, Uganda e Zâmbia.

Dois projetos, no entanto, se destacam:

Etiópia: durante a Semana Atômica Mundial, o presidente Vladimir Putin e o primeiro-ministro Abiy Ahmed selaram um acordo para a construção de uma central nuclear etíope, com plano detalhado de implementação e treinamento de equipes locais.

Egito: em El-Dabaa, a Rússia está construindo a segunda usina nuclear do continente africano, com previsão de entrada em operação em 2028.

Essas iniciativas mostram a estratégia de Moscou de expandir sua influência energética e tecnológica global, ao mesmo tempo em que promove uma alternativa ao domínio ocidental na área nuclear.