SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Mendes pede retomada do julgamento virtual do marco temporal

Ministro solicita ao presidente do STF que julgamento sobre demarcação de terras indígenas seja realizado em sessão virtual extraordinária a partir de segunda-feira.

Publicado em 12/12/2025 às 17:22
Gilmar Mendes solicita ao STF a retomada do julgamento virtual sobre o marco temporal das terras indígenas.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou nesta sexta-feira (12) ao presidente da Corte, Edson Fachin, a convocação de uma sessão virtual extraordinária para retomar o julgamento do marco temporal para demarcação de terras indígenas.

Mendes pediu que o julgamento virtual seja iniciado já na próxima segunda-feira (15), às 11h.

Ontem (11), o STF concluiu a fase de sustentações orais das partes envolvidas nos quatro processos em julgamento presencial. A expectativa era de que a votação presencial dos ministros ocorresse apenas em 2026, já que a Corte entra em recesso a partir de 20 de dezembro, com retorno previsto para fevereiro do próximo ano.

“Considerando o término das sustentações orais ocorrida em 11.12.2025, solicito à presidência a convocação de sessão virtual extraordinária do plenário”, destacou Mendes em seu despacho.

Dois anos após o Supremo declarar o marco temporal inconstitucional, os ministros voltam a analisar o tema.

Em 2023, o STF considerou o marco temporal inconstitucional. Posteriormente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou parte da Lei 14.701/2023, aprovada pelo Congresso para validar a regra. No entanto, os parlamentares derrubaram o veto de Lula, restabelecendo a tese.

Com isso, prevaleceu o entendimento de que os povos indígenas somente teriam direito às terras que estavam sob sua posse em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, ou que estavam em disputa judicial naquele período.

Após a votação do veto presidencial, partidos como PL, PP e Republicanos protocolaram ações no STF para garantir a validade do projeto de lei que reconhece a tese do marco temporal.

Por outro lado, entidades indígenas e partidos governistas também recorreram ao Supremo para contestar, mais uma vez, a constitucionalidade da tese.

Paralelamente ao julgamento no STF, o Senado aprovou nesta semana a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/23, que insere a tese do marco temporal na Constituição.

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